A universidade nas divergências e cisões das instituições psicanalíticas
Equipe executora: Fuad Kyrillos Neto, Laura Resende Moreira, Rodolfo Rodrigues Machado, Thales Fonseca, Igor Cerri, Marina Carvalho Freitas, Otávio Barra Vianna Vital, Amanda Rangel Reis.
Processo: 305160/2024-9
Chamada CNPq Nº 18/2024 – Bolsas de Produtividade em Pesquisa – PQ
Resumo do projeto de pesquisa
Desde 2009, temos refletido sobre as relações das instituições psicanalíticas com a universidade. Em 2013, iniciamos uma pesquisa, que nos exigiu o contato com a história do movimento psicanalítico brasileiro. Nesse ínterim, percebemos a necessidade de nos capacitarmos para obtermos um maior rigor metodológico nos aspectos historiográficos envolvidos em nossas pesquisas. Dessa forma, desenvolvemos um projeto de pesquisa, que, em seus resultados, asseverou que a historiografia do movimento psicanalítico deve se orientar em direção à teoria psicanalítica, dialogar com a sociologia e se interessar nas múltiplas fontes de poder e considerar a atribuição do sentido da experiência, inclusive a traumática, contribuindo para a subversão da lógica político-institucional das forças hegemônicas. Na execução deste projeto, abordaremos as divergências nas instituições psicanalíticas brasileiras com foco no Congresso Psicanalítico da Banana e da Cisão de 1998 da Escola Brasileira de Psicanálise, com interesse de analisar, numa perspectiva diacrônica e crítica, as relações entre o movimento psicanalítico brasileiro e as universidades. Utilizaremos como balizas metodológicas a perspectiva da Escola dos Annales, que considera que a escrita histórica deve se orientar por problemas específicos; a consideração da transferência como marca indelével da pesquisa realizada por psicanalistas pesquisadores; as reflexões de Ricouer (2007) sobre as etapas da construção do conhecimento historiográfico; e a concepção de história traumática desenvolvida por LaCapra (2006, 2008, 2016). Além das entrevistas realizadas, que fazem parte do acervo do pesquisador, em projeto desenvolvido anteriormente, pretendemos adicionar, ao material a ser analisado, entrevistas com analistas vinculados a instituições de psicanálise, que participam de Programas de Pós-graduação em Psicologia em universidades situadas em todas as regiões brasileiras, com o intuito de termos um amplo panorama dessas relações e detectarmos prováveis nuances regionais. Dessa maneira, esperamos contribuir para o esclarecimento sobre o papel que as universidades são instadas a desempenhar no movimento psicanalítico em momentos de tensão institucional.